Sobre o gostar
É difícil começar a escrever sem um clichê. É difícil começar a escrever, não é verdade?, com ou sem clichês, imagina se a possibilidade do clichê for de cara excluída da jogada. Complica bastante escrever sobre coisas tão impalpáveis quanto verdadeiras como o gostar sem um clichezinho pra tornar tudo menos etéreo, menos ficcional. Entende? Veja só, na falta do clichê, tive que começar o texto com esse palavreio todo que nada diz, nada consta, apenas preenche e nada solidifica - o que não deixa de ser um clichê, dar voltas e mais voltas pra começar a dizer algo que nada tem a ver com a introdução priápica.
Não, não, não falarei sobre o priapismo. Vou falar sobre o gostar. Sobre gostar de alguém, pra ser mais específico, porque se gosta de muita coisa nessa vida. Acontece que quando se gosta de alguém o sentimento parece começar a fazer sentido, talvez porque seja mais fácil achar uma correpondência nesse ato de bemquerer - por exemplo, eu gosto de jogar bola, mas não é por isso que a bola, o campo e os jogadores facilitam minha vida nas peladas. Gostar de alguém e ser gostado em retorno, eis a sagração da gente.
Como se descobre que se gosta de alguém? Tão impossível quanto a pergunta é a resposta. Não há resposta. Há o sentimento. Em minha adolescência me descobri gostando de alguém porque ela tinha sardas e era ruiva. A outra tinha a bunda mais redonda que já vi ao vivo, ao menos dentro de jeans semibags (eram os anos 80/90). Confesso que vi outra bundas com o passar dos tempos, algumas realmente ótimas e tal, mas aí eu já era adulto e canalha o suficiente pra que a lembrança daquela bunda coberta de jeans adolescente pudesse ser eterna. Mágico e imprevisível esse troço do gostar.
Gosta-se desavisadamente e então já estamos irremediavelmente presos a algo que não podemos entender mas que nos fascina, nos comove e nos atrai junto a si. Ou ao menos funciona assim para mim. Isca e anzol. O gostar possui lá suas razões e eu geralmente não consigo contra-argumentar e me assumo presa fácil dos meus desatinos.
Bem, os desatinos. Não é nada fácil gostar porque gostar implica dedicação, cumplicidade, fé. Não se gosta impunemente e até as misses sabem bem disso ("Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"). Pega mal essa coisa de gostar sem fazer força, de gostar de longe. Cheira a oportunismo e o oportunismo não cheira tão bem quando você não é o camisa 10 da Gávea ou coisa que o valha. Gostar é como passar um recibo de confiança ao outro caso a coisa fique preta, é garantir teto, oferecer o ombro e mesmo o copo na hora da necessidade e segurar uma eventual barra e se virar pra não deixar a peteca cair.
Porque nada consegue o grau de pureza de uma alegria compartilhada com quem se gosta. E é impossível ser feliz sozinho, não é mesmo? Daí a gente ser capaz de coisas impublicáveis pra fazer sorrir quem é digno de lembrança. Afinal, ridículo é quem nunca escreveu cartas de amor ou deixou de fazê-lo pra não cair em clichês.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
quarta-feira, novembro 19, 2008
Laugh of the day
"Com economia pior, venda de camisinhas dispara na Coréia do Sul"
Maneira sutil de dizer que tá todo mundo se fodendo na Coréia, mas com proteção...
Não, não sou eu o gênio por trás da piada, mas sim o jovem Luiz Hagen.
"Com economia pior, venda de camisinhas dispara na Coréia do Sul"
Maneira sutil de dizer que tá todo mundo se fodendo na Coréia, mas com proteção...
Não, não sou eu o gênio por trás da piada, mas sim o jovem Luiz Hagen.
segunda-feira, novembro 17, 2008
Sai da frente, mulambada
Depois do jogo de ontem, só nos resta acreditar.
E torcer pra caralho.
Mengão rumo a Tóquio 2009, com uma ligeira porém necessária escala no Équissa. Com ou sem Caio Jr.
Depois do jogo de ontem, só nos resta acreditar.E torcer pra caralho.
Mengão rumo a Tóquio 2009, com uma ligeira porém necessária escala no Équissa. Com ou sem Caio Jr.
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Flamengo é raça e o resto é fumaça,
Obina voltará
segunda-feira, novembro 03, 2008
Pequeno demais
Diante do pífio empate no Maraca com a Lusinha, Caio Jr. se saiu com essa para os jornalistas: "Temos que entender que o campeonato é difícil, o Flamengo tem a melhor campanha do Rio, vamos ter um jogo de dois cariocas disputando o rebaixamento e ainda temos possibilidade de título. É a melhor campanha do Flamengo em Campeonatos Brasileiros. Não vamos ter jogos fáceis." O blablablá seguiu nessa linha risível, como se Caio fosse ainda o comandante do Goiás ou do Paraná Clube - e a insígnia estampada em vermelho sobre o peito de Caio na foto aí nos mostra que não é o caso.
Ok, encarar a vida com o discurso de "vamos buscar o hexa" após ter levado dois gols da Portuguesa desfalcada em pleno Maracanã seria cínico, mas apelar pra inútil regularidade da equipe que diante de sua torcida refuga é canalhice demais para o torcedor. "Melhor campanha" do Flamengo é título, querido Caio, por isso a torcida vaia um time em 5º lugar. Aliás, a menção das campanhas de Bota, Vasco e Flu para qualificar a campanha flamenga atual é a prova viva de que Caio não serve pra técnico do Flamengo.
O time vacila mas Caio não se mostra, digamos, puto da vida com os vacilos. Como se a mediocridade de um 5º lugar ou a raspa de tacho de "podemos conseguir uma vaga na libertadores" servissem de medidas para as pretensões de uma equipe que já teve o mundo a seus pés.
Sim, reconheço, é injustiça jogar toda a culpa da realidade medíocre de "quem sabe uma Libertadores" sobre os fraquíssimos ombros do técnico, afinal, os patrões de Caio inventaram aquela festa para o Joel diante de uma decisão de vaga na Libertadores, vacilaram tremendamente na janela de transferências (o time ficou capenga e fez água, caindo da liderança para sétima posição na tabela) e com o retorno do time à ponta da tabela, decretaram a tal festa do hexa.
Não se pode, porém, livrar a carinha de menino de Caio da palmatória quando vemos rodada após rodada a titularidade de Kléberson - num time cujo meio campo já conta com os marcadores Toró e Jaílton, além de Ibson, que precisa correr para suprir a ineficiência tanto defensiva quanto ofensiva do parceiro Kléberson. Pra não falar do ataque onde Obina parece ter mais moral que o dedo do técnico...
Caio não entendeu que o apoio da torcida ao time do ano passado não se deu em função da tabela, mas em função da postura do time. Os flamenguistas aceitam um time que perde o campeonato, como o time de 2007 perdeu, mas não aceitam um time que não é capaz de vencê-lo, como parece ser a triste realidade. Nós estaremos sempre de pé a vibrar a cada gol rubro-negro, mas ninguém se sente na obrigação de aplaudir um time vacilante.
Sim, há a possibilidade deste mesmo Caio Jr alcançar epicamente o sonho do hexa, mas, de coração, ainda campeão ele continuaria abaixo do que o Flamengo precisa. O que é uma pena.
Diante do pífio empate no Maraca com a Lusinha, Caio Jr. se saiu com essa para os jornalistas: "Temos que entender que o campeonato é difícil, o Flamengo tem a melhor campanha do Rio, vamos ter um jogo de dois cariocas disputando o rebaixamento e ainda temos possibilidade de título. É a melhor campanha do Flamengo em Campeonatos Brasileiros. Não vamos ter jogos fáceis." O blablablá seguiu nessa linha risível, como se Caio fosse ainda o comandante do Goiás ou do Paraná Clube - e a insígnia estampada em vermelho sobre o peito de Caio na foto aí nos mostra que não é o caso.Ok, encarar a vida com o discurso de "vamos buscar o hexa" após ter levado dois gols da Portuguesa desfalcada em pleno Maracanã seria cínico, mas apelar pra inútil regularidade da equipe que diante de sua torcida refuga é canalhice demais para o torcedor. "Melhor campanha" do Flamengo é título, querido Caio, por isso a torcida vaia um time em 5º lugar. Aliás, a menção das campanhas de Bota, Vasco e Flu para qualificar a campanha flamenga atual é a prova viva de que Caio não serve pra técnico do Flamengo.
O time vacila mas Caio não se mostra, digamos, puto da vida com os vacilos. Como se a mediocridade de um 5º lugar ou a raspa de tacho de "podemos conseguir uma vaga na libertadores" servissem de medidas para as pretensões de uma equipe que já teve o mundo a seus pés.
Sim, reconheço, é injustiça jogar toda a culpa da realidade medíocre de "quem sabe uma Libertadores" sobre os fraquíssimos ombros do técnico, afinal, os patrões de Caio inventaram aquela festa para o Joel diante de uma decisão de vaga na Libertadores, vacilaram tremendamente na janela de transferências (o time ficou capenga e fez água, caindo da liderança para sétima posição na tabela) e com o retorno do time à ponta da tabela, decretaram a tal festa do hexa.
Não se pode, porém, livrar a carinha de menino de Caio da palmatória quando vemos rodada após rodada a titularidade de Kléberson - num time cujo meio campo já conta com os marcadores Toró e Jaílton, além de Ibson, que precisa correr para suprir a ineficiência tanto defensiva quanto ofensiva do parceiro Kléberson. Pra não falar do ataque onde Obina parece ter mais moral que o dedo do técnico...
Caio não entendeu que o apoio da torcida ao time do ano passado não se deu em função da tabela, mas em função da postura do time. Os flamenguistas aceitam um time que perde o campeonato, como o time de 2007 perdeu, mas não aceitam um time que não é capaz de vencê-lo, como parece ser a triste realidade. Nós estaremos sempre de pé a vibrar a cada gol rubro-negro, mas ninguém se sente na obrigação de aplaudir um time vacilante.
Sim, há a possibilidade deste mesmo Caio Jr alcançar epicamente o sonho do hexa, mas, de coração, ainda campeão ele continuaria abaixo do que o Flamengo precisa. O que é uma pena.
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terça-feira, outubro 14, 2008
Ouvido não é penico
Festa SM 3 Anos :: Vitor Araújo, Dom Ângelo & Bernardo Palmeira - Take Five from Site Sobremusica on Vimeo.
Vitor Araújo, Dom Angelo, Bruno Cupim e Gleidson Leite e Bernardo Palmeira - Take Five
Festa SM 3 Anos :: Vitor Araújo, Dom Ângelo & Bernardo Palmeira - Take Five from Site Sobremusica on Vimeo.
Vitor Araújo, Dom Angelo, Bruno Cupim e Gleidson Leite e Bernardo Palmeira - Take Five
quarta-feira, outubro 08, 2008
Espermicídio

Lindsay Lohan sai de casa descompromissadamente. E deste modo, bilhões de espermatozóides são condenados ao sacrifício.

Lindsay Lohan sai de casa descompromissadamente. E deste modo, bilhões de espermatozóides são condenados ao sacrifício.
sábado, outubro 04, 2008
quarta-feira, setembro 24, 2008
Vai cair um mito?
Beleza, gente, a Cláudia Ohana de fato está batendo um bolão aos 45 anos, avó. Não vou discutir o óbvio e a imagem aqui do lado fala por si. Mas temo que o novo nu de Cláudia Ohana será mais um bom momento de décadas passadas que a modernidade vai desprestigiar.
A questão é que Ohana virou mito na década de 80 em função de seu nu exposto na Playboy em fartas páginas com a starlet global e seu chocante despudor pubiano: eram outros tempos e a depilação total era coisa raríssima, quase artigo de luxo. Se o (a) interessado(a) correr no Google e procurar por imagens da moça em questão, logo irá ver do que falo e o porquê do mito.
Nenhuma outra capa de Playboy teve o mesmo impacto em todo um imaginário de uma geração quanto Cláudia Ohana, musa para muitos até os dias de hoje. Entra aí um questionamento, portanto: manterá ainda a musa seus fartos e negríssimos pêlos pubianos?
A mãe de Dandara poderá protagonizar mais um revival maldito da década oitentista, pródiga em revivals lazarentos. Porque se havia algo na década em que Maradona era o tal que faz falta nesses tempos é justamente a possibilidade de um ensaio nu com um excesso de pêlos em foco, ou seios de menos, ou uma barriguinha de mais. Não havia o sem-número de recursos para manipular uma foto digitalmente como temos hoje e as pessoas eram menos preocupadas, havia menos assessoria de imprensa no mundo e coisas afins. O nu de Ohana, ainda que não intencionalmente, carrega este fascínio.
Ou então eu estou apenas velho e rabugento.
Beleza, gente, a Cláudia Ohana de fato está batendo um bolão aos 45 anos, avó. Não vou discutir o óbvio e a imagem aqui do lado fala por si. Mas temo que o novo nu de Cláudia Ohana será mais um bom momento de décadas passadas que a modernidade vai desprestigiar.A questão é que Ohana virou mito na década de 80 em função de seu nu exposto na Playboy em fartas páginas com a starlet global e seu chocante despudor pubiano: eram outros tempos e a depilação total era coisa raríssima, quase artigo de luxo. Se o (a) interessado(a) correr no Google e procurar por imagens da moça em questão, logo irá ver do que falo e o porquê do mito.
Nenhuma outra capa de Playboy teve o mesmo impacto em todo um imaginário de uma geração quanto Cláudia Ohana, musa para muitos até os dias de hoje. Entra aí um questionamento, portanto: manterá ainda a musa seus fartos e negríssimos pêlos pubianos?
A mãe de Dandara poderá protagonizar mais um revival maldito da década oitentista, pródiga em revivals lazarentos. Porque se havia algo na década em que Maradona era o tal que faz falta nesses tempos é justamente a possibilidade de um ensaio nu com um excesso de pêlos em foco, ou seios de menos, ou uma barriguinha de mais. Não havia o sem-número de recursos para manipular uma foto digitalmente como temos hoje e as pessoas eram menos preocupadas, havia menos assessoria de imprensa no mundo e coisas afins. O nu de Ohana, ainda que não intencionalmente, carrega este fascínio.
Ou então eu estou apenas velho e rabugento.
quarta-feira, setembro 17, 2008
Pureza
"Carol Miranda decide esta semana se vende sua virgindade por R$ 500 mil"
Se você já achou o título da matéria algo demais pro seu dia, veja abaixo o subtítulo:
"Sobrinha de consideração de Gretchen pode ter sua primeira transa em filme pornô"
“Não entendo. Se a pessoa sai com todo mundo, é vagabunda. Se diz que não saiu com ninguém, é tida como mentirosa. Prefiro passar por mentirosa”, diz ela reafirmando sua pureza.
É uma santa.
"Carol Miranda decide esta semana se vende sua virgindade por R$ 500 mil"
Se você já achou o título da matéria algo demais pro seu dia, veja abaixo o subtítulo:
"Sobrinha de consideração de Gretchen pode ter sua primeira transa em filme pornô"
É uma santa.
quinta-feira, setembro 04, 2008
Celso
Eu lembro do meu amigo sorrindo pra mim. Sorrindo de qualquer coisa. Um sorriso sincero e bonito, como se pudesse varrer a tristeza das ruas. Sabia sorrir de verdade, o meu amigo Celso.
Descedente de orientais, sushiman, palmeirense verde, paulistano e amigo como raros são capazes de ser. Conheço muito poucos que sabem dar valor a uma amizade como o meu amigo Celso soube - e nunca se furtou de nos mostrar. Por isso, é muito difícil agora, horas após a notícia ter entrado vacilante em meus ouvidos, segurar o choro ao pensar que o amigo ao meu lado na foto morreu esta manhã, num leito de hospital.
Tem tanta coisa boa que eu posso falar do Celso. Celso era o tipo de sujeito que se largava do centrão até Congonhas num dia de semana porque eu ficaria umas duas horas ali em conexão e a gente podia gastar meia hora almoçando juntos. Celso dividiria com você o último Marlboro da carteira só pra ter o prazer de conversar contigo sob a noite sem estrelas de São Paulo. Celso ignorava a dor que sentia ao caminhar em seus últimos dias pra encarar busão e metrô e se encontrar comigo quando eu estava em Sampa, ignorava a dor e ria como se pudesse varrer a dor do mundo naquele instante.

Eu quero me lembrar do meu amigo assim, sorrindo.
Eu lembro do meu amigo sorrindo pra mim. Sorrindo de qualquer coisa. Um sorriso sincero e bonito, como se pudesse varrer a tristeza das ruas. Sabia sorrir de verdade, o meu amigo Celso.
Descedente de orientais, sushiman, palmeirense verde, paulistano e amigo como raros são capazes de ser. Conheço muito poucos que sabem dar valor a uma amizade como o meu amigo Celso soube - e nunca se furtou de nos mostrar. Por isso, é muito difícil agora, horas após a notícia ter entrado vacilante em meus ouvidos, segurar o choro ao pensar que o amigo ao meu lado na foto morreu esta manhã, num leito de hospital.
Tem tanta coisa boa que eu posso falar do Celso. Celso era o tipo de sujeito que se largava do centrão até Congonhas num dia de semana porque eu ficaria umas duas horas ali em conexão e a gente podia gastar meia hora almoçando juntos. Celso dividiria com você o último Marlboro da carteira só pra ter o prazer de conversar contigo sob a noite sem estrelas de São Paulo. Celso ignorava a dor que sentia ao caminhar em seus últimos dias pra encarar busão e metrô e se encontrar comigo quando eu estava em Sampa, ignorava a dor e ria como se pudesse varrer a dor do mundo naquele instante.

Eu quero me lembrar do meu amigo assim, sorrindo.
sábado, agosto 23, 2008
O candidato
Esse rapazola aí do vídeo num ousado nó de gravata é o Mano Changes, candidato a vice-prefeito de Porto Alegre na chapa de Onyx (pronuncia-se Onícs) Lorenzoni, do DEM, você sabe, os Democratas. Longe das intenções deste blog questionar o direito de Mano de se candidatar a vice-prefeito - até porque ele foi eleito deputado estadual nas últimas eleições. Mano, nascido Diogo Bier, se celebrizou (nos pampas) com a sua banda Comunidade Ninjitsu, de apelo bastante forte entre os jovens de classe média-alta. Uma das bandeiras da Comunidade é o fumo de cannabis sativa, a popular lombra.
Não seria construtivo termos alguns dos democratas cantando este grande sucesso da Comunidade que aparece abaixo?
Mano, sem erva, nos vocais
Esse rapazola aí do vídeo num ousado nó de gravata é o Mano Changes, candidato a vice-prefeito de Porto Alegre na chapa de Onyx (pronuncia-se Onícs) Lorenzoni, do DEM, você sabe, os Democratas. Longe das intenções deste blog questionar o direito de Mano de se candidatar a vice-prefeito - até porque ele foi eleito deputado estadual nas últimas eleições. Mano, nascido Diogo Bier, se celebrizou (nos pampas) com a sua banda Comunidade Ninjitsu, de apelo bastante forte entre os jovens de classe média-alta. Uma das bandeiras da Comunidade é o fumo de cannabis sativa, a popular lombra.
Não seria construtivo termos alguns dos democratas cantando este grande sucesso da Comunidade que aparece abaixo?
Mano, sem erva, nos vocais
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O pé e a jaca
Caralho
Você sabe que os tempos andam muito além de sua compreensão quando tal notícia aparece na sua tela.
"Padre lança concurso para eleger a freira mais bonita da Itália"
Vai, irmão, evangeliza as moças.
Você sabe que os tempos andam muito além de sua compreensão quando tal notícia aparece na sua tela.
"Padre lança concurso para eleger a freira mais bonita da Itália"
Vai, irmão, evangeliza as moças.
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terça-feira, agosto 19, 2008
sexta-feira, agosto 15, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
Houve Sangue
Este blog fez uma tremenda campanha de marketing sem fins lucrativos em prol da continuação de Batman Begins, o assombroso Batman: The Dark Knight. A cobra fumou. Se o primeiro filme já havia deixado os fãs confessos do Morcegão em êxtase - este escriba, por exemplo, adquiriu o DVD - este segundo filme do diretor Christopher Nolan entrou para os anais como o mais radical filme em torno de um personagem de gibi. A excelência técnica somada ao trabalho dos atores e, principalmente, ao roteiro fora-de-série de Nolan e David Goyer possibilitam à película figurar ao lado das grandes histórias de Batman, como Batman: Ano 1 ou A Piada Mortal.
O pulo do gato? Não, não foi o lunático Coringa de Heath Ledger (um espetáculo à parte dentro do filme) mas a grande sacada de Nolan e Goyer de uma das características das grandes histórias de Batman: Batman, apesar de herói do pedaço, não precisa, no contexto da narrativa, ser mais importante que os "civis" que os cercam. Podem reparar que o Bruce Wayne de Nolan é o playboy marrento que Frank Miller forjou para alter-ego do vingador noturno e obsessivo, Alfred Pennyworth não é peça decorativa de set e James Gordon carrega a angústia de ser um tira honesto dentro da engrenagem corrupta de Gothan. O Harvey Dent de Aaron Eckhart superou as expectativas e deu à trama dimensões legitimamente épicas.
A decisão de apostar no trabalho dos atores para o desenrolar da trama foi crucial para que este filme de Batman conquistasse o coração e mente de suas platéias. Sim, e claro, não vamos esquecer da melhor campanha de divulgação já feita em cima de um filme desde o fenômeno A Bruxa de Blair (lembram dele?).
Se por um lado o diabólico Coringa revelou-se para cinéfilos um senhor vilão, outro filme recente mostrou às pessoas o quanto o Lado Negro da Força pode ser a força motriz de um filme. Em Sangue Negro, a tela se povoa de vilões. O filme de P. T. Anderson, um épico à altura de coisas do naipe de O Poderoso Chefão, apresenta não apenas o perverso capitalista Daniel Plainview (um colosso de trabalho de Daniel "Bill, the Butcher" Day-Lewis), mas ainda o fundamental Eli Sunday (Paul Dano). É algo fora da minha compreensão o fato de filmes rarefeitíssimos de dignidade como Titanic e Crash terem faturado o Oscar de Melhor Filme - no caso de Titanic, também levou Melhor Diretor - e Sangue Negro não, ainda que apenas sua seqüência final coloque no chinelo toda a produção cinematográfica apresentada em 2007.
Este blog fez uma tremenda campanha de marketing sem fins lucrativos em prol da continuação de Batman Begins, o assombroso Batman: The Dark Knight. A cobra fumou. Se o primeiro filme já havia deixado os fãs confessos do Morcegão em êxtase - este escriba, por exemplo, adquiriu o DVD - este segundo filme do diretor Christopher Nolan entrou para os anais como o mais radical filme em torno de um personagem de gibi. A excelência técnica somada ao trabalho dos atores e, principalmente, ao roteiro fora-de-série de Nolan e David Goyer possibilitam à película figurar ao lado das grandes histórias de Batman, como Batman: Ano 1 ou A Piada Mortal.O pulo do gato? Não, não foi o lunático Coringa de Heath Ledger (um espetáculo à parte dentro do filme) mas a grande sacada de Nolan e Goyer de uma das características das grandes histórias de Batman: Batman, apesar de herói do pedaço, não precisa, no contexto da narrativa, ser mais importante que os "civis" que os cercam. Podem reparar que o Bruce Wayne de Nolan é o playboy marrento que Frank Miller forjou para alter-ego do vingador noturno e obsessivo, Alfred Pennyworth não é peça decorativa de set e James Gordon carrega a angústia de ser um tira honesto dentro da engrenagem corrupta de Gothan. O Harvey Dent de Aaron Eckhart superou as expectativas e deu à trama dimensões legitimamente épicas.
A decisão de apostar no trabalho dos atores para o desenrolar da trama foi crucial para que este filme de Batman conquistasse o coração e mente de suas platéias. Sim, e claro, não vamos esquecer da melhor campanha de divulgação já feita em cima de um filme desde o fenômeno A Bruxa de Blair (lembram dele?).
Se por um lado o diabólico Coringa revelou-se para cinéfilos um senhor vilão, outro filme recente mostrou às pessoas o quanto o Lado Negro da Força pode ser a força motriz de um filme. Em Sangue Negro, a tela se povoa de vilões. O filme de P. T. Anderson, um épico à altura de coisas do naipe de O Poderoso Chefão, apresenta não apenas o perverso capitalista Daniel Plainview (um colosso de trabalho de Daniel "Bill, the Butcher" Day-Lewis), mas ainda o fundamental Eli Sunday (Paul Dano). É algo fora da minha compreensão o fato de filmes rarefeitíssimos de dignidade como Titanic e Crash terem faturado o Oscar de Melhor Filme - no caso de Titanic, também levou Melhor Diretor - e Sangue Negro não, ainda que apenas sua seqüência final coloque no chinelo toda a produção cinematográfica apresentada em 2007.
terça-feira, agosto 05, 2008
Mohammed, um brasileiro
Mohammed dos Santos está preso e é notícia há cerca de uma semana em função de um desatino brutal: ele matou sua namorada, Cara Marie, britânica, de 17 anos, deixou o corpo da moça no box do banheiro de casa pra passar a noite na gandaia (uma performance da Mulher Melancia) e, ao voltar, esquartejou o corpo da menina para então jogar as partes num rio. A polícia ainda procura uma perna de Cara Marie.
Apurou-se que Mohammed teria apelado para a brutalidade medonha diante da ameaça de Cara Marie delatar aos pais de Mohammed, que residem na Inglaterra, seu vício em cocaína. Marie, conta-se, apanhava de Mohammed. Mohammed filmava as surras via celular, como registrou em imagens o corpo esquartejado da namorada.
Parece tudo fruto de uma mente perversa e predestinada para o mal que um belo dia resolveu colocar seus demônios internos em ação. Certo? Um desses apresentadores de programas televisivos com recheio de cotidianos violentos já deve ter dito que Mohammed é um vagabundo e drogado, que deveria entrar no pau e coisa pior. Mohammed certamente não é flor que se cheire, mas seu próprio advogado cantou uma boa pedra em entrevista para o G1.
Desde pequeno, segundo o advogado, Santos atirava pedras em viaturas. “Era um sinal de revolta pela perda do pai policial. Depois disso, ele teve alguns problemas com furto e roubo e até com outra tentativa de homicídio, quando adolescente”, disse Trajano.
Mohammed, maior de idade, morava sozinho e não tinha emprego conhecido. Testemunhas disseram que ele era um popular traficante em seu meio. Ele tinha histórico (roubo, furto e tentativa de homicídio) para a prática criminal. Parece que o que faltou foi o Estado fazer a sua parte diante de um criminoso reincidente. Mohammed estava livre, quando deveria estar preso. O flagrante peripatético de sua tentativa de suborno a um policial via telefone enquanto confessava o crime mostra que o rapaz achava provável escapar da cana mais uma vez. Afinal, recordemos, ele saiu pra balada logo após matar a namorada.
Mohammed, me parece, é somente outro reflexo do nosso estado cínico das coisas.
Mohammed dos Santos está preso e é notícia há cerca de uma semana em função de um desatino brutal: ele matou sua namorada, Cara Marie, britânica, de 17 anos, deixou o corpo da moça no box do banheiro de casa pra passar a noite na gandaia (uma performance da Mulher Melancia) e, ao voltar, esquartejou o corpo da menina para então jogar as partes num rio. A polícia ainda procura uma perna de Cara Marie.Apurou-se que Mohammed teria apelado para a brutalidade medonha diante da ameaça de Cara Marie delatar aos pais de Mohammed, que residem na Inglaterra, seu vício em cocaína. Marie, conta-se, apanhava de Mohammed. Mohammed filmava as surras via celular, como registrou em imagens o corpo esquartejado da namorada.
Parece tudo fruto de uma mente perversa e predestinada para o mal que um belo dia resolveu colocar seus demônios internos em ação. Certo? Um desses apresentadores de programas televisivos com recheio de cotidianos violentos já deve ter dito que Mohammed é um vagabundo e drogado, que deveria entrar no pau e coisa pior. Mohammed certamente não é flor que se cheire, mas seu próprio advogado cantou uma boa pedra em entrevista para o G1.
Desde pequeno, segundo o advogado, Santos atirava pedras em viaturas. “Era um sinal de revolta pela perda do pai policial. Depois disso, ele teve alguns problemas com furto e roubo e até com outra tentativa de homicídio, quando adolescente”, disse Trajano.
Mohammed, maior de idade, morava sozinho e não tinha emprego conhecido. Testemunhas disseram que ele era um popular traficante em seu meio. Ele tinha histórico (roubo, furto e tentativa de homicídio) para a prática criminal. Parece que o que faltou foi o Estado fazer a sua parte diante de um criminoso reincidente. Mohammed estava livre, quando deveria estar preso. O flagrante peripatético de sua tentativa de suborno a um policial via telefone enquanto confessava o crime mostra que o rapaz achava provável escapar da cana mais uma vez. Afinal, recordemos, ele saiu pra balada logo após matar a namorada.
Mohammed, me parece, é somente outro reflexo do nosso estado cínico das coisas.
domingo, maio 04, 2008
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